Economia e-Commerce
Especialista dá dicas para proteger redes sociais após ataque hacker
Advogado explica como não ficar refém do hacker ao ser vítima de um golpe
27/09/2022 17h00
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Foto: Reprodução

Ser vítima de um crime digital nas redes sociais é algo que pode acontecer com qualquer pessoa. No Brasil, a cada 7 segundos alguém é alvo de golpistas, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. No momento de pânico, em que não se consegue raciocinar e reagir da melhor forma, ter conhecimento sobre o que fazer é fundamental.

Por isso, o CEO do escritório de advocacia JRCLaw, Jean Cioffi, elenca 5 passos a serem tomados pelas vítimas para neutralizar o ataque criminoso e reagir, seja na retomada do domínio das contas ou até mesmo judicialmente.

Recentemente, a equipe do JRCLaw atuou no caso de invasão do Instagram profissional e da conta do cantor e produtor musical Afonso Nigro. Ele teve o perfil da rede social hackeado e o criminoso utilizou a conta para fazer anúncios de vendas de móveis, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos para aplicar golpes nos seguidores. Além disso, com acesso ao e-mail, o hacker buscou dados de transferências bancárias e notas fiscais para expor os contatos do produtor. Para “devolver” o acesso à conta, o criminoso exigiu R$ 1 mil.

"A pessoa se sente impotente e vulnerável, não sabe a extensão do que pode acontecer na vida pessoal e profissional. Os criminosos notaram que é mais fácil fingir ser outra pessoa e aplicar golpes em terceiros. Tem sido muito comum o sequestro de redes sociais e a roupagem tem sido a mesma: roubam as contas, postam como se estivessem vendendo equipamentos e aplicam golpe nas pessoas que se interessam por eles", comenta Cioffi.

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No caso envolvendo Nigro, algumas atitudes foram tomadas rapidamente e, com isso, foi possível a redução dos danos e até mesmo a identificação do suposto criminoso para realizar a denúncia ao banco e à polícia.

Cinco passos para se proteger após um ataque hacker:

1 – Inicialmente, como não se sabe por onde ocorreu o ataque, é preciso trocar as senhas que se tenha controle. Essa ação irá dificultar o acesso do criminoso. Ativar a checagem dupla em aplicativos como WhatsApp é uma iniciativa importante.

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2 - Informar publicamente que está sendo alvo de um ataque criminoso e de que não confirma nenhuma informação exposta pelo bandido (prints, fotos, transferências).  Denunciar à rede social que está sendo hackeada e pedir ajuda de conhecidos para também denunciarem.

3 – Não ceder às pressões e extorsões, por pior que pareça o prejuízo. Enviar dinheiro, somente se a quantia for irrisória (R$ 0,01), apenas para ter acesso ao nome do criminoso ou do laranja usado.

4 - Procurar ajuda especializada com profissionais de tecnologia e da área jurídica para orientar as mudanças necessárias e as futuras medidas que podem ser tomadas.

5 - Registrar um Boletim de Ocorrência (é possível fazer isso online) na Polícia Civil, fornecer todos detalhes que conseguir colher.

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Pedido de indenização

"É aterrorizante quando você se vê na situação, totalmente impotente e sem saber o que fazer. Minha dica hoje é para que a pessoa mantenha a cabeça no lugar e faça todos os procedimentos recomendados. Eu tive a sorte muito grande de ter o contato de pessoas ligadas ao escritório, então, sugiro que as pessoas também recorram a profissionais para que não tenham nenhum dano maior", comenta o cantor e produtor musical Afonso Nigro.

Cioffi comenta que é possível até mesmo entrar com pedido de pagamento de indenização, pois há a responsabilidade do setor financeiro, que permitiu o uso de uma conta por um criminoso e, também, das empresas proprietárias das redes sociais. Já há precedente favorável à vítima em caso semelhante ao de Nigro, concedido por decisão judicial no Distrito Federal.

No caso do produtor, a equipe aguarda um posicionamento das empresas envolvidas para decidir se irão recorrer à Justiça para responsabilizá-los. Neste ano, a Emenda Constitucional 115/2022, publicada em 10 de fevereiro, passou a elencar a proteção de dados pessoais como garantia fundamental do cidadão, um direito inviolável de todos os brasileiros.

Por perceber o aumento de golpes pela internet a clientes, o JRCLaw criou uma célula de segurança digital, com duas frentes de atuação: prevenção, com consultoria de medidas a serem tomadas previamente; e reação, para os casos em que a pessoa foi vítima e não sabe como agir adequadamente para ter a reparação, tanto financeira quanto de imagem. Entre os crimes envolvendo os golpes nas redes sociais, estão o de roubo de identidade e tentativa de extorsão.  

Para Cioffi, é essencial também orientar os filhos ou pessoas que tenham acesso aos mesmos eletrônicos que o proprietário do aparelho. Mesmo assim, é importante ter em mente que a culpa não é da vítima. "Atitudes simples que ainda não fazem parte do cotidiano de todas pessoas podem ajudar a não acontecer uma invasão, mas elas não vão impedir. Os criminosos são cada vez mais criativos e engenhosos", avalia o advogado.

Ele também aponta outras dicas de proteção, como:

- Criar senhas fortes e diferentes que sejam alteradas periodicamente (a cada 30 dias).

- Ativar a verificação em duas etapas quando disponibilizada.

- Desconfiar de e-mails não solicitados que peçam cliques em links ou download de arquivos.

- Ficar de olho no remetente para ver se o endereço condiz com a empresa que representa.

- Mudar o nome do aparelho para que não seja identificado nos casos em que ativa o Wi-Fi em ambientes compartilhados, principalmente se for uma pessoa conhecida.

Com o avanço da LGPD (Lei Geral de Proteção de dados) e da GPDR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), empresas que coletam dados estão sofrendo multas e sansões, como é o caso da Meta (dona do Facebook, WhatsApp, Instagram) e Google, por algum tipo de violação ou estarem em desacordo com as leis de proteção de dados. Portanto, é importante ter às informações que são compartilhadas e fornecidas nas redes sociais.