Quem olhava a grade do Festival Virada Salvador 2026 para este domingo (28) via uma mistura potente de axé, sertanejo e arrocha. Mas foi o reggae, com sua cadência lenta e mensagens cortantes, que protagonizou o momento mais visceral da noite. Edson Gomes, aos 70 anos, subiu ao palco não apenas para cantar, mas para reger uma multidão que, por mais de uma hora, esqueceu a festa para celebrar a resistência.
Se você esteve na Arena Daniela Mercury ontem, presenciou algo que vai além do entretenimento. Se não foi, o Live Hoje te explica por que este foi o show que "zerou" a segunda noite do festival.
Era início de noite quando os primeiros acordes de “Camelô” soaram. A resposta do público foi imediata: um coro uníssono que muitas vezes abafava o som do próprio sistema de PA da arena.
Diferente de artistas que precisam pedir "tira o pé do chão" a todo instante, Edson tem o domínio silencioso da massa. Ele canta sobre fome, violência e desigualdade, e a multidão na orla da Boca do Rio responde dançando. É o paradoxo do reggae baiano: a dor que vira dança, a crítica que vira festa.
"O show de Edson Gomes é um dos poucos onde você vê o ambulante parar de vender e o policial parar de vigiar apenas para cantar um refrão. Ontem não foi diferente", relata nossa equipe presente no local.
Edson sabe que o público de festival quer os hits, e ele entregou todos, sem rodeios:
"Malandrinha": Transformou a arena em um baile romântico gigante.
"Perdido de Amor": O ponto alto da sofrência regueira.
"Isaac" e "Inquilino": Trouxeram a crítica social afiada que, infelizmente, continua atual em 2025.
A banda, afiadíssima, manteve o groove pesado característico, aquele que bate no peito e faz o corpo balançar involuntariamente.
Colocar Edson Gomes antes de Claudia Leitte e Simone Mendes foi um acerto curatorial da organização. Ele serviu como o "chão" e a "raiz" antes da tempestade pop que viria a seguir. Ele aqueceu o público não pelo cansaço físico, mas pela emoção.
Nas redes sociais, o termo "Edson Gomes" amanheceu nos Trending Topics de Salvador, com vídeos da multidão cantando “Árvore” viralizando no TikTok e Instagram.
Em um festival marcado por luzes de LED, pirotecnia e dançarinos, Edson Gomes provou que apenas um microfone e uma mensagem verdadeira ainda são as ferramentas mais poderosas da música baiana. Foi, sem dúvida, a "pedrada" que a gente precisava para encerrar 2025 de alma lavada.