
(Brasília, 22 de novembro de 2025) – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu as medidas cautelares em prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro na manhã deste sábado. A decisão foi fundamentada em relatórios de inteligência que apontaram risco iminente de fuga e violação do monitoramento eletrônico.
O documento oficial, de 17 páginas, detalha os eventos das últimas 24 horas que levaram à operação da Polícia Federal. Você pode ler a decisão completa no arquivo abaixo.
Para conferir todos os despachos e as provas anexadas pelo ministro Alexandre de Moraes, faça o download do arquivo oficial do STF:
Os 3 Motivos da Prisão Revelados no Documento
A decisão de Moraes aponta que a prisão domiciliar não era mais suficiente para garantir a aplicação da lei penal. Três fatores foram determinantes para a expedição do mandado cumprido hoje:
O documento cita expressamente uma convocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais na sexta-feira (21). Flávio convocou apoiadores para uma "Vigília pela saúde de Bolsonaro" em frente ao condomínio Solar de Brasília 2, marcada para hoje às 19h.
Para o ministro, o ato não tinha fins religiosos, mas sim o objetivo de criar uma aglomeração para "obstruir a fiscalização" e facilitar uma fuga. Moraes destacou que a tática repete o modus operandi de 2022, utilizando "massa humana" para impedir a ação da polícia.
Um dado técnico crucial consta na página 14 da decisão: o Centro de Integração de Monitoração do DF comunicou que houve violação do equipamento de monitoramento eletrônico (tornozeleira) de Bolsonaro à 00h08 deste sábado (22/11). O STF interpretou isso como uma intenção clara de romper o dispositivo para garantir êxito em uma fuga.
Moraes citou a fuga recente de outros condenados para justificar a prisão. O documento menciona que Alexandre Ramagem, condenado na mesma ação penal, fugiu para Miami (EUA) para se furtar à lei. O ministro também citou tentativas de evasão de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli.
Além disso, a decisão ressalta que a casa de Bolsonaro fica a apenas 15 minutos da Embaixada dos Estados Unidos, o que aumentaria o risco de um pedido de asilo diplomático relâmpago.
A ordem de prisão ocorre no contexto da iminência do "trânsito em julgado" (fim dos recursos) da Ação Penal 2.668/DF. Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de reclusão pelos crimes de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado.
O ex-presidente deverá permanecer recolhido na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal. A decisão determina que ele tenha atendimento médico integral e proíbe o uso de algemas ou exposição midiática durante a custódia.
A audiência de custódia foi marcada para amanhã, domingo (23/11), às 12h, por videoconferência.